Olá,
Há uns anos parei de ler e durante muito tempo achei que era falta de tempo. Hoje sei que não era. O tempo estava lá — estava só ocupado por outra coisa, sem eu dar conta.
Quando abro o telemóvel à noite, raramente decido fazê-lo. A mão vai sozinha. E aquele bocadinho que podia ser de um livro torna-se mais um quarto de hora a deslizar por coisas de que não me vou lembrar amanhã.
É sobre isso que queria falar nesta primeira carta. Não sobre ler mais. Sobre o que nos foi tirando a leitura, devagar, e por onde se começa a recuperá-la.
